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Pierre Martin

Pierre Martin
Pierre Martin
Nome completo Pierre Alphonse Albert Martin
Nascimento 12 de maio - 1932
França
Morte 21 de dezembro 1986 (54 anos)
Brasil
Conjuge Bruna Martin
Ocupação Espeleólogo
Condecoração Condecoração Marechal Rondon

Biografia

Nascido em Lyon, França, em 12 de Maio de 1932, Pierre Martin foi um dos principais pioneiros da espeleologia brasileira. Iniciou suas atividades espeleológicas na França, em 1944, aos 12 anos de idade, quando conheceu a Grotte de Jujurieux. No Brasil, a partir de 1950, manteve intensa e notável atuação espeleológica, não apenas nas atividades de campo, mas também na estruturação da espeleologia institucional brasileira. Fundou em 1964 o Espeleo Clube de Londrina e no mesmo ano participou do 1° Congresso Brasileiro de Espeleologia realizado na Gruta da Casa de Pedra, Iporanga - SP. Em 1969 participou da Fundação da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE) durante o 4º Congresso Espeleológico Brasileiro realizado em Ouro Preto – MG. Em 1970 assumiu a presidência da SBE e recebeu a Condecoração Marechal Rondon (Medalha dada as pessoas que se destacam no campo da ciência da terra) da Sociedade Geográfica Brasileira. Em 1974 fundou o Grupo Espeleológico Os Opiliões, sediado na cidade de São Paulo. A partir de 1985 se dedicou a estruturação do primeiro cadastro digital de cavernas do Brasil. Pierre Martin possuía enorme paixão pela Caverna de (Santana) Sant´Anna, considerada a preferida dele, sendo um dos mais importantes exploradores. Faleceu em 21 de dezembro 1986, vítima de acidente automobilístico.

Destaques e Condecorações

  • Condecoração Marechal Rondon (Medalha dada as pessoas que se destacam no campo da ciência da terra), 1988.
  • 1970 Pierre foi eleito presidente da SBE - Sociedade Brasileira de Espeleologia.

Homenagens

História

Nascido na França em 12 de maio de 1932 Pierre fez todos os seus estudos primários em Lyon. Desde a idade de 12 anos ele freqüenta as cavernas e é na Grotte de Jujurieux que conhece as suas primeiras emoções subterrâneas.

Em 1950, já morando no Brasil, ele visita a caverna Santana (vale do Ribeira) projetando de completar a exploração. Demorou quase 14 anos antes de realizar o que tinha sonhado naquela época.

Pierre veio de fato à espeleologia por volta dos anos 62-63 depois que o CAP (Clube Alpino Paulista) e alguns grupos excursionistas fizeram publicações nos jornais de São Paulo.

Trabalhando em Londrina fundou um clube de espeleologia, o equipou, treinou seu pessoal e veio a freqüentar o vale do Ribeira - Santana, a sua predileta, e cavernas vizinhas. Grandes sucessos na maioria delas.

Em julho de 1964 participa do 1º Congresso Espeleológico Brasileiro, organizado nas matas do Betari. Com o contato dos paulistas, decide participar ativamente do desenvolvimento da espeleologia brasileira.

Posteriormente, trabalhando na Mineração Furnas, começa um levantamento sistemático das cavernas, formando pessoal e guias para trazer informações. Também é graças às suas competências e seus relacionamentos com a prefeitura de Iporanga (SP) que foram ajeitadas algumas cavernas para a visitação turística (Santana, Morro Preto...).

Nesta época, um antigo mestre na mina, Vandir de Andrade, colocou à disposição da SBE um paiol (futura sede de campo) e se tornou guia de cavernas na região. Outro empregado da mina, o Milton, foi contratado pela prefeitura de Iporanga para melhorar o trânsito e circuito turístico na Santana. Pierre quase sempre escrevia Sant´Anna à moda antiga.

Fixado em São Paulo capital, Martin, sempre participando de numerosas explorações, prepara com os colegas os 2º e 3º congressos nacionais de espeleologia e estuda os estatutos da SBE, sociedade que será fundada em 1969 durante o 4o congresso em Ouro Preto (MG).

Em 1970 Pierre foi eleito presidente da SBE.

Dotado de uma viva inteligência, de grande senso de organização e de uma memória prodigiosa, ele esboçou rapidamente a estrutura da sociedade, formou fichários, cadastros, comissões técnicas e científicas, boletim de interligação, etc.

Soube também estabelecer e manter excelentes relações com os organismos oficiais, as universidades e mais tarde com a União Internacional de Espeleologia.

Sob indicação de um colega, a sua atuação foi consagrada pela obtenção da condecoração "Marechal Rondon", medalha dada pela Sociedade Geográfica Brasileira a quem se destaca no campo da ciência da terra.

A partir de 1971, ultrapassando o quadro regional, ele orienta decididamente os pesquisadores para as regiões espeleologicamente inexploradas do Brasil. E sob esse impulso que foram realizadas as expedições aos estados da Bahia e de Goiás, chefiadas por ele mesmo nas redes da Angélica/Bezerra e por diversos outros grupos na Terra Ronca, São Vicente, São Mateus, que logo se tornaram as cavidades mais extensas conhecidas no país.

Outros presidentes se sucederam na SBE marcando a orientação da sociedade do seu cunho particular. Porém Pierre sempre participa ativamente de diversas comissões, assumindo cargos executivos. Mais e melhor ainda, ele se torna o Embaixador da SBE. Tendo possibilidades de viagens ao exterior, pelas suas altas funções em uma multinacional, faz contatos com sociedades congêneres ou federações, visitando presidentes e outras personalidades do ramo.

Convida, no exterior, os colegas a visitar e explorar as cavernas brasileiras e aqueles que tiveram a chance de poder viajar, apreciaram o acolhimento caloroso e fraternal dispensado pelo Pierre, a sua hospitalidade generosa, a sua ajuda eficaz colocando tudo à disposição dos visitantes: alojamentos, equipamentos, veículos...

Pierre Martin partiu. Missão cumprida, e muito bem.

Por: Michel LE BRET

Um grande agrupador

Traço de união entre dois continentes, Pierre Martin reduziu a distância que separa o Brasil da França. Um dos elos mais sólidos, mais fiéis da corrente.

Sua silhueta tornou-se-nos familiar no aeroporto de São Paulo. Quantas idas e vindas, quantas esperas por espeleólogos chegados da velha Europa, conhecidos ou não. Sempre presente !

A seguir, em sua companhia, a descoberta de uma nova face do mundo, apesar das grandes distâncias, das dificuldades materiais num país de economia abalada.

O tempo acontecia de lhe faltar, ele solicitava outros brasileiros, o Clube Alpino Paulista, o Grupo Bambuí de Belo Horizonte, os espeleólogos do CAMIN, muitos outros...

Ele tecia vínculos. Ele unia. Por: Nicole BOULLIER e Claude CHABERT

Pierre Martin e a exploração da caverna Sant'ana

Caverna Santana por Pierre Martin

A primeira exploração conhecida da Caverna de Sant´Anna data dos anos 1930, quando o engenheiro de minas Theodoro Knecht fez construir passarelas por sua equipe de mineiros e percorreu o curso do rio subterrâneo numa distância que ele estimou em 2000 m.

A gruta em seguida caiu no esquecimento, visitada somente por alguns turistas.Pierre Martin foi um destes turistas precursores.Em 1950, ele desceu até a entrada da Santana, penetrou na caverna, subiu o rio até uma primeira sala, onde um corredor lateral, todo revestido de calcita branca, o encheu de admiração. Ele prometeu a si mesmo de ali voltar.Mas foram necessários quatorze anos para que seu desejo se realizasse.

Em 1964 ele acaba de fundar o Espeleoclube de Londrina e sua equipe já adquiriu uma certa prática treinando nas grutas vizinhas - Gruta do Morro Preto, Morro do Couto, Gruta da Agua Suja, ressurgência do Córrego Grande - durante o mês de julho e em setembro, Alberto, Ermínio, Zeca, Cleón e Zezo se lançam ao ataque, sob a direção de Pierre.

Percorrendo cerca de 900m eles aprendem a conhecer o rio e descobrem que ele também abriga peixes troglófilos. Foi uma dura prova esta primeira expedição, quando eles passaram nove horas úmidos e tremendo de frio. Guando Pierre, alguns meses mais tarde, após a exploração da gruta das Ostras, lança uma segunda expedição, apenas quatro de seus companheiros o acompanham.

Com dezenas de "piscinas" para atravessar , de cinco a dez metros, como elas são geralmente ao pé de uma corredeira, a saída é às vezes difícil.Para ganhar tempo ele havia imaginado que eles poderiam rebocar-se uns aos outros com uma pequena corda para evitar a dificuldade de nadar nas passagens estreitas. Numa delas é Alberto que, sentado sobre Um bloco, puxa a corda; quando Pierre chega, Alberto quer se levantar para dar-lhe lugar, mas derrapa, perde o equilíbrio e caí sobre o infeliz Pierre que, com sua luz apagada, mergulha até o fundo, perde seus óculos, emaranha-se na corda e acha que vai se afogar enquanto seus companheiros morrem de rir! O lugar ó imediatamente batizado "o estreito do afogado" e a exploração continua.

Depois de 1600 m de movimentos aquáticos, a equipe chega a uma vasta sala. Sobre suas paredes escuras, as águas de infiltração depositaram radiosas cortinas de calcita e fizeram brotar das paredes buquês imaculados de helictites. Como balizas, as estalagmites surgem da sombra sob os feixes de luz.

O ronronar lancinante do rio se acalma para dar lugar ao silêncio. Provavelmente é aqui que o Dr. Knecht terminou sua exploração. A sala tem seus cem metros de comprimento e se prolonga por um corredor quase seco que, depois de vários cotovelos, dá sobre uma falha obstruída por blocos abatidos. Somando o comprimento da sala e do corredor ao da galeria do rio, obtem-se os quase dois quilômetros que havia indicado o engenheiro. Todavia, o rio continua, pois, desde a entrada da gruta sua vazão é aparentemente constante e nenhum afluente foi notado.

Em fevereiro de 1965, tão logo terminada a estação das chuvas, novo ataque com a mesma equipe, desta vez para fazer a topografia.Conhecendo perfeitamente o rio, desta vez eles chegam à grande sala em menos de duas horas e começam imediatamente o trabalho, sob a direção enérgica de Alberto: visadas, medidas, anotações se sucedem ao longo do percurso. Infelizmente, Alberto, insuficientemente treinado, faz uma confusão terrível entre as visadas avante e à ré, as larguras à direita e à esquerda, e alguns dias depois ele deve dizer a seus companheiros consternados que tudo deve ser refeito!

E sobre esta triste nota que se termina a primeira campanha na Santana. Circunstâncias imprevistas impedirão Pierre, durante três anos, de se consagrar a suas aventuras subterrâneas. A mina de Furnas, na qual ele havia entrado como encarregado da lavra, encontra-se numa situação financeira difícil. O ritmo de trabalho diminui e Pierre deve abandonar seu emprego. Várias vicissitudes depois, é em São Paulo que ele vem se estabelecer com sua família e, tendo melhorado sua situação, pode enfim sonhar a retomar suas explorações.

E com novos colegas que Pierre vai se ver novamente na caverna. Ele havia constituído um estoque de equipamentos individuais e qualquer colega um pouco esportivo, corajoso e amante de aventura se encontra em alguns minutos transformado em companheiro de exploração. São famosos companheiros os que ele encontra em julho de 1968. Com o casal de suíços Alfons e Esther e seu cunhado Ermínio ele atinge a grande sala em 1h45. Entusiasmado pelo valente comportamento da mulher, ele lhe dedica esta sala, que no mapa se chamará "salão Esther".

Mas o mapa ainda não está pronto e, continuando a exploração, Pierre executa com Ermínio o mapeamento do fundo da caverna. No caminho eles descobrem um corredor lateral que dá a impressão de um afluente, mas eles não podem explorar sua descoberta.

O impulso está dado. Mais decidido que nunca, Pierre reúne outros amigos : um francês, Alain, um brasileiro, Marinho, e ele até reencontra o velho amigo Zezo, que participara das expedições de 1964 e 1965.

Dia 20 de julho de 1968 eles se dirigem novamente para o "salão Esther". Alain e Marinho vão verificar a falha que constitui o prolongamento do corredor principal e, escalando entre os blocos presos entre as paredes, procuram a continuação da caverna. Várias horas depois eles voltam, transformados em homens de argila. Eles avançam 350 m sem reencontrar o curso ativo do rio. No final eles quase tiveram medo, tanto os blocos abatidos parecem instáveis e recentes.

Pierre, Ermínio e Zezo dedicam-se uma vez mais à topografia. O mapeamento do salão está acabado e eles começam o rio quando Pierre escorrega e mergulha com todo seu material, que é levado pela corrente; tudo se vai, bússola, caderneta e mesmo seus óculos. Desta vez, ninguém ri...

No dia seguinte, guiados por Milton, eles se dirigem para as galerias superiores, a "rede da Paca". Penetram numa sala entrevista por Milton. As estalagmites se dispõem em arquibancada, como num anfiteatro; numerosas cortinas revestem as paredes e entre suas dobras abrem-se diversos corredores. Em todos aparecem numerosas estalactites, "canudos de refresco" e helictites.

No alto da sala, à direita de quem sobe, sai uma galeria semi-fechada por cortinas de calcita; o lento escoamento da água formou travertinos, onde a cristalização do carbonato fez nascerem magníficos dentes de cão de calcita triangular. Adiante, é uma formação completamente inédita que surpreende os exploradores : vulcões ! ou, pelo menos, estalagmites em forma de vulcão, ou seja, cônicas exteriormente e ocas no interior. Plantadas no meio de um travertino seco, as mais altas atingem 50 cm !

Porém, não é deste lado que eles farão sua mais bela descoberta. A sala em anfiteatro ainda não tinha entregue todos os seus segredos. Atrás de uma grande coluna escondia-se uma outra galeria muito mais importante. Paralela ao rio, ela talvez lhe tenha servido de leito. Simplesmente decorada em seu início de alguns escorrimentos de calcita variando do branco mais puro ao vermelho ocre, ela só adquire sua originalidade a partir de uma centena de metros. Aqui novamente aparece a rocha-mãe, o calcário negro, e este fundo escuro salienta ainda mais a radiosa brancura das concreções : delicadas cimitarras, sabres, espadas, ganchos, arpões, todo um arsenal de beleza feito de alabastro translúcido. E tudo isto é apenas um tira-gosto !

A galeria se alarga, o teto se abaixa. O piso transforma-se em massa terrosa; tudo faz pressentir a proximidade de um desmoronamento que fechará o caminho. Mas Zezo, ardente, fuçador, descobre a passagem, atravessa o estreitamento e penetra no "Santo dos Santos". E a galeria da "Floricultura", onde os buquês de helictites explodem da rocha. Uma flora misteriosa e desordenada os lança no vazio como fogos de artifício. Uma enorme serpente, longa de quase um metro, surge da parede enrolada sobre ela mesma como um saca-rolhas. Estrelas cintilam na extremidade de fios invisíveis. Os cristais, inchados do seiva, se abrem como pétalas de uma flor de crisântemo.

Emocionados, os exploradores percorrem esta longa galeria, ousando apenas respirar, tomados de admiração, saboreando em silêncio a alegria sutil e rara de uma descoberta tão bela...

E a mais bonita recompensa após tantos esforços, mais bonita que todos os seus sonhos.

Por: Michel LE BRET

A Gruta Alambari de Baixo

Mapa de Alambari de Baixo por Pierre Martin

Quantas horas passamos a discutir sobre espeleologia!, um longo diálogo começado há cerca de dez anos em Paris e várias vezes retomado em São Paulo. Tudo que se relacionava a cavernas apaixonava Pierre Martin, livros, equipamento, técnicas, coloração, arte rupestre,... Bem freqüentemente nós evocávamos os problemas de topografia subterrânea, conscientes de que a espeleologia brasileira, devido a seu relativo isolamento, ainda não lhes havia dado toda sua atenção. Explorador e topógrafo da caverna SanfAnna, Pierre encorajava Sérgio Beck em seu novo mapeamento da gruta.

Um dia ele declarou, num tom decidido: "Façamos uma topografia 5c ! _ Mas... _ Mas o quê ?"

Imediatamente lhe enumerei as exigências do "5c", o tempo, o número de visadas, as verificações,... Nada adiantou : ele desejava promover a espeleologia brasileira em todos os setores e ao mais alto nível.

Foi assim que no dia 6 de agosto de 1984, à tarde, nós tomamos a direção da gruta Alambari de Baixo, que lhe parecia a mais conveniente para este tipo de exercício : cerca de 900 m de desenvolvimento (910 no cadastro da S.B.E.), 25 a 30 minutos de uma agradável marcha de aproximação, sem passagens baixas e incômodas, dificuldades variadas e, sobretudo, todos os mapas existentes (croquis de Michel Le Bret de 22 de abril de 1961; esquema da Sociedade Excursionista e Espeleológica de Ouro Preto de 2 de junho de 1969; mapa do Centro Excursionista Universitário de São Paulo de 1974) eram pouco satisfatórios.Na noite do dia 6 nós só havíamos medido 200 ou 300 metros, de forma que no dia seguinte nós retomamos o caminho da Alambari, atravessando a vau o rio Betari antes de descer na grande dolina, na extremidade da qual se abre o pórtico fóssil da cavidade.

Ao termo desta segunda sessão, 530 m haviam sido medidos, representando a quase totalidade das partes fósseis da cavidade.

Seria a interrupção do mapeamento topográfico que motivou nosso retorno ao Brasil no ano seguinte, e ao Vale do Alto Ribeira ? Não. Foi mais o gosto do Brasil que Pierre Martin soube nos comunicar.

No dia 11 de julho de 1985 nós começamos o mapeamento da parte ativa, que comunica-se com a grande galeria por várias janelas ou olhais. Naquele dia a gruta estava fervilhante de atividades : Eleonora Trajano, com dois biólogos ajudante, pesquisava a fauna dos sedimentos da gruta, enquanto nós consagrávamos nossos esforços à montante do córrego, reservando a jusante para o dia seguinte e o desmoronamento final para dias improváveis.

No dia 12 de julho, trabalhando à jusante, nós terminamos o mapeamento das partes conhecidas da Alambari, ganhando a luz do dia por um estreito orifício. Ao fim destas quatro sessões, nós trazíamos 1050 metros de topografia.

Todavia, nós não havíamos terminado: naquele mesmo ano, o Grupo Espeleológico "Os Opiliões", levado por Roberto Avari, tinha descoberto, acima da ressurgência, uma outra entrada fóssil comunicando-se, por um poço de 8 m, com as partes fósseis da Alambari. Assim, dia 14 de julho de 1985, depois da necessária amarração externa, nós adicionamos 150 m a nossas medidas precedentes.

A gruta Alambari de Baixo foi escavada pelo rio epônimo, que atravessa de parte a outra um pequeno morro calcário não distante do rio Betari. Este pequeno sistema hidrológico possui hoje em dia cinco entradas, mas o mapa de C.E.U. indica uma sexta, que é o próprio sumidouro do rio. Seu desenvolvimento atinge 929 m, dos quais 500 de partes fósseis, e seu desnível, 35 m (-27 m, + 8m).

A entrada principal está a 205 m de altitude e leva a uma galeria espaçosa e descendente (N2-01) longamente iluminada pela luz do dia. Grandes blocos (N2-02) a dividem em duas e determinam dois acessos a uma grande sala (N1-02), no fundo da qual seria interessante tentar uma escalada para atingir uma possível galeria superior.

Um corredor horizontal (N1-03a) prolonga a sala e se termina obstruído por concreções (N1-04a).

O córrego corre ao norte da galeria e dali nunca se afasta, o mapa dando mesmo a impressão que um e outro formam uma só e única passagem. A parte terminal, além da quarta janela (N1-04), de dimensões reduzidas, ó sifonante em período de cheia.

Por: Claude CHABERT

Pierre Martin e Goiás

Nos anos 70, o estado de Goiás tinha um impressionante potencial de descobertas. Abismos enormes, rios inteiros desaparecendo sob a terra, com o que sonhar. Pierre Martin e seus amigos se debruçam sobre os mapas, reúnem documentos e informações orais e, em julho de 1971, partem para um reconhecimento de quinze dias.

Saídos de São Paulo, eles atravessam Brasília e se aventuram em estradas de terra através das zonas mais desoladas dos estados de Goiás e Bahia. 5600 km de estradas para trazer o que lhes parecia um magro troféu espeleológico : uma dezena de cavidades visitadas totalizando apenas três mil metros.

Em julho de 1972 eles partem novamente. Caboclos os conduzem ao sumidouro do rio Angélica : é a grande fatia do bolo !

A corrente é forte, apesar do período de estiagem, mas a temperatura é ideal : a água está a 23 °C. Numa única incursão, seja seguindo pelas praias, seja a nado, eles percorrem um trajeto de 4750 m. Uma impressionante cascata retém os exploradores, mas todas as esperanças são permitidas : a ressurgência é localizada, assim como o sumidouro de outro rio, situado a seis quilômetros do primeiro, rio Bezerra que, segundo as indicações dadas, confluiria subterraneamente com o rio Angélica.

O programa é delineado para a campanha de 1973. Dia 29 de junho é uma equipe de vinte pessoas que deixa São Paulo e se dirige para São Domingos, 335 km a nordeste de Brasília. A equipe liderada por Luís Carlos Marinho explora a ressurgência comum dos rios Angélica e Bezerra, descobre a confluência subterrânea e explora cerca de 800 m; ela é retida de um lado pela grande cascata do rio Angélica e, do outro, por um desmoronamento sobre o curso do rio Bezerra. Enquanto isso, a equipe de Pierre Martin, da qual fazia parte seu velho amigo, o mineiro Vandir de Andrade, desce no sumidouro do rio Bezerra e consegue explorar 3150 m. O desmoronamento que havia retido a equipe Marinho o impede de sair pela ressurgência : alguns dias mais tarde uma coloração demonstraria a ligação entre os rios Bezerra e Angélica. O total dos mapeamentos topográficos realizados neste sistema atingia 8875 m. Pierre Martin havia dado o impulso inicial da exploração dos grandes rios subterrâneos de Goiás, com os quais ele nunca deixaria de sonhar.

Por: Michel LE BRET